Perda auditiva na velhice e demência - qual é a relação?

O responsável pela audição e equilíbrio é o ouvido. A audição é um sentido que influencia muito na parte cognitiva do ser humano, bem como na interação social. A perda auditiva na terceira idade, chamada de presbiacusia, tem relação com a diminuição da função cognitiva, que pode acarretar na demência. Cabe ressaltar ainda que, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), em 2020,  o limite para perda de audição é de 20 dB (decibéis - unidade de medida da intensidade do som). Vale observar que o limiar menor de 21 dB já configura perda auditiva.

Antes de entender melhor a relação entre as duas condições, é preciso sabe o que é a presbiacusia, os fatores de risco e o tratamento disponível. Confira nosso artigo, agora, e fique atento à sua saúde auditiva!

 

Presbiacusia: o que é 

A presbiacusia é a diminuição de parte da audição, na terceira idade, devido ao processo de envelhecimento natural do ser humano. Por esse motivo, Ela é a causa mais comum de perda auditiva na terceira idade, afetando principalmente as pessoas com mais de 60 anos.

A presbiacusia ocorre devido a alterações no funcionamento do ouvido. Como ela se manifesta de modo gradual, há quem não consiga perceber a dificuldade de audição. “Geralmente algum familiar que apresenta queixas sobre a audição do idoso, pois são pessoas que pedem para repetir as informações, não entendem o que lhe foi dito, aumentam a intensidade dos dispositivos sonoros (como a TV ou celular)  e/ou falam alto”, explica a Dra. Adriana Neves de Andrade (CRFa – 2 – 15275), que faz parte do corpo clínico Imong.

 

Frequência

A frequência da conversação, no ser humano normal, inclui frequências de 500 a 2000 Hz. No indivíduo com presbiacusia, a faixa de frequência comprometida é variável, mas as frequências de sons agudos costumam apresentar um maior comprometimento. A pessoa com a condição alega que escuta o que os outros dizem, mas não entende o que está sendo dito. Isso acontece devido à perda de informação dos sons de algumas consoantes, principalmente. 

 

Sintomas e fatores de risco

É comum que o idoso com presbiacusia diga que não entende o que se fala. Além disso, ele precisa aumentar o volume da televisão e do rádio para conseguir escutar o que está sendo dito nos programas.

Outros sintomas são: a dificuldade na compreensão da fala principalmente em ambientes ruidosos, desconforto em conversar no telefone por conta da não compreensão, maior dificuldade em ouvir sons mais agudos, como vozes femininas e de crianças.

Embora esse tipo de perda auditiva esteja relacionado ao envelhecimento natural, alguns fatores podem acelerar esse processo, tais como: exposição a sons altos, hereditariedade, diabetes, hipertensão, tabagismo ou o uso de medicamentos ototóxicos. Algumas pessoas podem também ouvir um zumbido, o que geralmente configura um dos primeiros sinais de perda auditiva.

 

Relação entre presbiacusia e demência

Como vimos, a presbiacusia é a perda auditiva devido ao processo de envelhecimento natural do ouvido. A presbiacusia e a demência são condições diferentes, mas relacionadas. Vale ressaltar que a demência implica no declínio da capacidade cognitiva da pessoa.

Essa perda da função auditiva periférica, relacionada à cóclea (caracol), possui uma relação de sobreposição com o processamento auditivo central e a função cognitiva. Assim, se um deles está em declínio, pode potencialmente influenciar os outros.

Nessa linha, a perda auditiva pode, ainda, provocar mudanças na forma e no funcionamento do cérebro, tanto em áreas auditivas quanto em áreas não auditivas. Assim, a privação sensorial da audição poderia ser um dos fatores que aumenta o risco de um indivíduo desenvolver demência. Entenda melhor no estudo explicado abaixo.

 

Estudo científico The Lancet

Em 2020, a prestigiosa revista científica The Lancet publicou um estudo sobre a prevenção da demência, intervenção e seus fatores de risco. Foi apontado que as condições da infância e da vida adulta contribuem para aumentar o risco de demência. A fonoaudióloga Adriana Neves de Andrade (CRFa – 2 – 15275) lembra que “no mesmo documento, há uma descrição de 12 fatores que podem prevenir ou retardar o surgimento da demência e, em relação a audição, incentivam o uso de aparelhos auditivos para perda de audição e sugerem como medida protetiva a redução do tempo de exposição ao ruído”.

Confira alguns pontos de alerta levantados no documento: pressão alta, poluição do ar, obesidade, álcool em excesso, diabetes, depressão, tabagismo, traumatismo craniano e perda de audição. De acordo com o estudo, a perda auditiva mostra-se o principal fator de risco modificável para demência.

Um dos relatórios elaborados durante a pesquisa mostrou, ainda, por meio de um ensaio com uma amostra de indivíduos (idade média de 59 anos) representantes da população dos Estados Unidos, a relação notória  entre a perda de audição, o envelhecimento e a demência. Na ocasião, observou-se queda na capacidade cognitiva a cada 10 dB reduzidos da audição. Assim, níveis de deficiência auditiva (abaixo de 21 dB) foram ligados à baixa cognição. Outro ensaio divulgado na mesma publicação revelou que pessoas entre 45 e 65 anos de idade, com perda auditiva adquirida, têm 1,9 vezes mais chance de apresentar demência, quando comparadas a indivíduos sem perda auditiva. 

No mais, ainda segundo esse registro científico do The Lancet, notou-se, por meio de audiometria, que a audição na meia-idade dialoga com uma perda de volume do lobo temporal (estrutura cerebral responsável pela memória) acentuada (considerando, também, o hipocampo e o córtex entorrinal). Sendo assim, a perda auditiva altera a forma e o funcionamento do cérebro. Esse estudo recomenda, como prevenção, a redução do tempo de exposição a ruídos e o uso de aparelhos auditivos.

 

 

Considerações: presbiacusia e demência

O idoso com presbiacusia, por não perceber todos os sons, começa a receber menos estímulos auditivos e, consequentemente, o cérebro passa a diminuir o número de conexões realizadas a partir dos estímulos sonoros. 

Diante do exposto, não é possível romper a relação entre presbiacusia e demência. O que pode ser feito é a reabilitação por meio da utilização de aparelhos auditivos, que possibilitam a recepção de estímulos sonoros, estimulam as vias auditivas e combatem o declínio cognitivo e o surgimento da demência.

É importante consultar um médico especialista para que ele passe as informações e as soluções possíveis para o caso clínico presbiacusia. Continue lendo e saiba mais. 

 

Como tratar presbiacusia?

A perda auditiva relacionada ao envelhecimento natural pode ser tratada realizando uma reabilitação auditiva. Segundo a Dra. Adriana Neves de Andrade, o primeiro passo é “procurar um médico otorrinolaringologista para um adequado diagnóstico otológico e prescrição da reabilitação auditiva e da prótese auditiva/implante coclear”.

Cabe ao fonoaudiólogo executar esse processo de reabilitação. Ele atua na escolha, adaptação, verificação e validação das próteses de audição. Também avalia, programa e monitora o implante coclear. Assim, participa do treinamento de leitura orofacial, auditivo e terapia fonoaudiológica.

“Para o sucesso da reabilitação é extremamente importante ter um cuidado centrado no paciente, respeitando os seus desejos e limitações e integrando a equipe profissional, o paciente e a família”, diz a Dra. Adriana.

 

Como diagnosticar presbiacusia?

O acompanhamento médico e fonoaudiológico, para a realização de exames a fim de diagnosticar a doença é fundamental, a essa altura, já tendo em mente a conexão entre presbiacusia e demência. Essas consultas são cruciais para que as necessidades individuais do paciente sejam atendidas. O exame de audiometria, por exemplo, tem o objetivo de fazer uma avaliação da quantidade de audição disponível, bem como o grau e a configuração da perda auditiva. 

É por meio da audiometria, ainda, que se observa o quanto o paciente está ouvindo, para que o médico indique o tratamento adequado.

 

Aparelho auditivo

Na maioria dos casos, é recomendado o uso de aparelho auditivo para uma melhor condição de vida. Fazendo uma analogia com um óculos, usar um aparelho auditivo te permite ouvir melhor, porém a perda de audição pode continuar crescendo. Assim, esse dispositivo não vem para solucionar de vez o problema, mas ajudar a pessoa a conviver melhor com ele.

Clínica Imong

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