Tosse, dor de garganta e rouquidão podem ser sinais de doença de refluxo!

Em alguns casos os sintomas podem demorar a aparecer ou causar muito desconforto. O tratamento adequado evita a piora do refluxo e suas complicações.


Muita gente já sentiu aquele peso no estômago ou sensação de queimação logo após uma farta refeição. Em alguns casos, a situação é pontual e provocada pelo excesso de alimentos gordurosos, bebida alcoólica ou, até mesmo, a ingestão de grandes quantidades de comida em pouco tempo.  Agora, nos casos em que essa sensação costuma repetir-se constantemente, você pode estar sofrendo de doença do refluxo gastro esofágico (DRGE).

Popularmente conhecida por refluxo, ela ocorre quando o conteúdo ácido do estômago sobe para o esôfago e órgãos próximos, como laringe e faringe, provocando dor, ardência e a inflamação dessa região.  Isso acontece quando o músculo e esfíncteres que deveriam impedir que o ácido do estômago saia do seu interior não funcionam de forma adequada. “Isso ocorre porque uma estrutura muscular — chamada de esfíncter funcional — que se situa entre o esôfago e estômago não funciona direito, relaxa ou fica fraca e, assim, permite a passagem dos ácidos” – explica a médica otorrinolaringologista Iryna Prist, da Clínica IMONG.



Quando o paciente apresenta sintomas que se manifestam na faringe, laringe e boca, como rouquidão, tosse crônica, pigarro, apneia, sensação de alimento entalado na garganta e aftas orais, a doença recebe o nome de doença do refluxo Laringofaríngeo (DRLF).  


Quando não tratado corretamente, o refluxo pode levar a vários sintomas que afetam ouvido, nariz e garganta. Em crianças, pode ser a causa de otites de repetição e otite serosa (secreção dentro da cavidade timpânica). Em adultos, pode levar a sintomas de laringite, como dor de garganta de repetição e sensação de ouvido entupido. Estima-se que a DRGE acometa entre 10 a 20% na população adulta do mundo ocidental, sendo a doença crônica mais comum do trato digestivo alto.


Não é raro que paciente com refluxo não apresente queimação ou azia. Uma dúvida constante é: Minha endoscopia está normal, como posso ter refluxo? Em partes, isso ocorre, pois até 50% dos doentes que apresentam sintomas extra esofágicos não apresentam azia, queimação e outros sinais típicos de DRGE.


Entre outros sintomas importantes que pessoas com refluxo podem apresentar estão: dor no peito, disfonia ou rouquidão, tosse crônica, crises de falta de ar, cáries, halitose etc. 


Diagnóstico e tratamento do refluxo


O diagnóstico do refluxo pode ser complexo e exige uma boa história clínica associada com exames. Alguns dos exames diagnósticos que podemos listar são: laringoscopia, endoscopia digestiva alta, PH-metria, manometria esofágica.


A Endoscopia Digestiva Alta pode nos trazer sinais indiretos de refluxo e nos ajudar com a definição do diagnóstico ou de complicações. A Video-faringo-laringoscopia está sempre indicada nos casos de sintomas da faringe ou laringe. A Impedâncio pH-metria esofágica tem papel importante, pois define de forma objetiva a presença do refluxo, assim como define se é de fato um refluxo ácido ou mesmo alcalino. A maioria dos otorrinolaringologistas baseia seu diagnóstico em achados de exame físico (laringoscopia) associados aos sintomas de RFL.


Muitas pessoas relatam que o refluxo piora durante o sono. Isso acontece porque quando dormimos a frequência de deglutições em resposta a episódios de refluxo é mais baixa que durante o dia. Consequentemente, os mecanismos protetores naturais contra refluxo são menos efetivos durante sono. Dormir de estômago cheio, consumir alimentos ácidos e gordurosos e até mesmo o abuso de algumas medicações pode favorecer o aparecimento do problema. 


Por isso, algumas mudanças de estilo de vida podem melhorar consideravelmente o refluxo. Entre elas: 


1- Elevar a cabeceira da cama em 10 a 15cm. 

2- Moderar a ingestão dos seguintes alimentos: gorduras, cítricos, café, bebidas alcoólicas, bebidas gasosas, menta, hortelã, produtos a base de tomate, chocolate. 

3- Cuidados especiais com algumas medicações, como anti-inflamatórios.

4- Evitar deitar-se nas duas horas após as refeições. 

5- Evitar refeições muito volumosas.

6- Parar de fumar. 

7- Reduzir o peso corporal em pessoas com sobrepeso.


As alterações alimentares na doença do refluxo gastroesofágico são necessárias, mas devem ser adaptadas ao tratamento medicamentoso e também personalizadas. O médico pode usar remédios como a domperidona, que aceleram o esvaziamento gástrico, omeprazol ou esomeprazol, que reduzem a quantidade de ácido no estômago ou antiácidos, que neutralizam a acidez já presente no estômago. Apesar de prolongado, o tratamento medicamentoso não precisa ser realizado pela vida toda, desde que o paciente melhore seus hábitos de vida.


Caso o paciente não melhore com medicamentos e mudanças nos hábitos ou ainda se a doença do refluxo for decorrente de alguma anormalidade (como a hérnia de hiato), o recomendado é a cirurgia. 


Os pacientes com sintomas faringo-laríngeos devem ser avaliados pelo otorrinolaringologista, pois a DRGE pode contribuir com problemas como sinusites, faringites e otites médias de repetição. Uma avaliação adequada, com a realização de exames complementares, associada à condução adequada do tratamento, são fatores decisivos do sucesso no tratamento do refluxo.




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